©Sonia Soares©



Deve-se estar sempre bêbado.
É a única questão.
Afim de não se sentir o fardo horrível do tempo,
que parte tuas espáduas e te dobra sobre a terra.
É preciso te embriagares sem trégua.
Mas de quê?
De vinho, de poesia ou de virtude?
A teu gosto... mas embriaga-te.
E se alguma vez sobre os degraus de um palácio,
sobre a verde relva de uma vala,
na sombria solidão de teu quarto,
tu te encontras com a
embriaguez já minorada ou finda,
peça ao vento, à vaga, à estrela, ao
pássaro, ao relógio, a tudo aquilo que gira,
a tudo aquilo que voa,
a tudo aquilo que canta,
a tudo aquilo que fala,
a tudo aquilo que geme,
Pergunte que horas são.
E o vento, a vaga, a estrela,
o pássaro, o relógio, te responderão:
É hora de se embriagar!
Para não ser como os escravos
martirizados do tempo, embriaga-te.
Embriaga-te sem cessar.
De vinho, de poesia ou de virtude.
A teu gosto...


(Charles Baudelaire)






Fale Comigo Atualizações Voltar




Sonia Soares Copyright © 2000
falandocomcoracao.com|falandocomcoracao.net
Webmaster Sonia Soares| Rio de Janeiro| Brasil