©Sonia Soares©



Esse de quem eu era e era meu,
Que foi um sonho e foi realidade,
Que me vestiu a alma de saudade,
Para sempre de mim desapareceu.


Tudo em redor então escureceu,
E foi longínqua toda a claridade !
Ceguei... tateio sombras... que ansiedade !
Apalpo cinzas porque tudo ardeu !


Descem em mim poentes de Novembro...
A sombra dos meus olhos, a escurecer...
Veste de roxo e negro os crisântemos...


E desse que era eu meu já me não lembro.
Ah! a doce agonia de esquecer
A lembrar doidamente o que esquecemos !


(Florbela Espanca)






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