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Só o afeto permite estender a compreensão a níveis intensos e profundos. Permite até que a crítica verdadeira seja aceita. A falta de afeto bloqueia qualquer forma de compreensão, pois impede a comunicação. Quem não gosta, pode, até julgar com precisão e lucidez, porém, jamais, será capaz de um conhecimento possível, apenas, quando proveniente da compreensão.

Há um conhecimento empático só viável através da compreensão, e há uma forma de compreensão que só é viável através da empatia. Este, não é o único modo de conhecimento possível. Mas é o que permite ir longe e fundo tanto no próximo, quanto em si mesmo(a).

Compreender é, portanto, empatizar, traduzir, decodificar, interpretar, para só depois definir à luz da razão. Só o afeto permite o entendimento, a percepção e o sentimento do outro. E para compreender é fundamental não julgar. Aceitar primeiro e só julgar, depois.

Na recusa de emitir julgamento, (mesmo o generoso e talvez algo insincero porque amigo) está uma eloqüente atitude: é o impulso de empatia, único capaz de efetivamente compreender, porque nascido da capacidade de aceitar antes de julgar. Quando alguém se recusa a julgar e dá ao próximo a felicidade de saber-se aceito, faz a este um bem maior que qualquer inflamada manifestação de solidariedade humana.

Ser aceito é felicidade para qualquer pessoa. Nem a generosidade da amizade, nem o julgamento da razão implacável. Apenas o prazer silencioso de aceitar o outro e saber senti-lo.

Saber aceitar é arte para poucos. Em geral, as pessoas estão de tal forma carregadas de si mesmas, de suas opiniões e ressentimentos que sobra pouquíssimo espaço para aceitar esse mistério ambulante que é o outro. No entanto, aceitá-lo é a condição indispensável para haver empatia, compreensão, comunicação.





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