Só o afeto permite estender a compreensão a níveis intensos e profundos.
Permite até que a crítica verdadeira seja aceita.
A falta de afeto bloqueia qualquer forma de compreensão, pois impede a comunicação.
Quem não gosta, pode, até julgar com precisão e lucidez, porém, jamais,
será capaz de um conhecimento possível,
apenas, quando proveniente da compreensão.
Há um conhecimento empático só viável através da compreensão,
e há uma forma de compreensão que só é viável através da empatia.
Este, não é o único modo de conhecimento possível.
Mas é o que permite ir longe e fundo tanto no próximo, quanto em si mesmo(a).
Compreender é, portanto, empatizar, traduzir, decodificar, interpretar, para só depois definir à luz da razão.
Só o afeto permite o entendimento, a percepção e o sentimento do outro.
E para compreender é fundamental não julgar. Aceitar primeiro e só julgar, depois.
Na recusa de emitir julgamento, (mesmo o generoso e talvez algo insincero porque amigo)
está uma eloqüente atitude: é o impulso de empatia, único capaz de efetivamente compreender,
porque nascido da capacidade de aceitar antes de julgar.
Quando alguém se recusa a julgar e dá ao próximo a felicidade de saber-se aceito,
faz a este um bem maior que qualquer inflamada manifestação de solidariedade humana.
Ser aceito é felicidade para qualquer pessoa. Nem a generosidade da amizade,
nem o julgamento da razão implacável. Apenas o prazer silencioso de aceitar o outro e saber senti-lo.
Saber aceitar é arte para poucos.
Em geral, as pessoas estão de tal forma carregadas de si mesmas,
de suas opiniões e ressentimentos que sobra pouquíssimo espaço
para aceitar esse mistério ambulante que é o outro.
No entanto, aceitá-lo é a condição indispensável para haver empatia, compreensão, comunicação.
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Sonia Soares Copyright © 2000
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