Ir atrás do que se deseja é bom, é saudável e é necessário para o crescimento pessoal.
Nossos comportamentos sempre têm a intenção maior de se alcançar o bem-estar.
E o impulso para esta busca é muito poderoso, pode mover uma vida.
Nesta busca, de repente, você olha e acha que alguma outra pessoa tem exatamente aquilo que falta a você para alcançar o que quer: pronto, instala-se um sentimento, que, quem tem fica tão desconfortável em ter, que até é capaz de falar que sente aquela inveja boa, só para tentar justificar estar sentindo algo considerado extremamente negativo e destruidor.
A inveja é, para mim, o sentimento que as pessoas mais escondem, mais negam
que sentem e mais justificam. Mesmo o ciúme é mais fácil de ser contado, porque, afinal, ele tem o amor como base.
Segundo o Dicionário Aurélio:
INVEJA Desgosto ou pesar pelo bem ou felicidade de outrem; desejo violento
de possuir o bem alheio. (O significado já é bem negativo, não é?).
Ter inveja é desejar possuir aquilo que eu penso que o outro tem de BOM,
aquilo que eu acho que sou mais merecedor que o outro.
É perguntar o tempo inteiro, afinal porque o Mundo foi tão injusto, dando
aquele objeto ou característica para alguém que não seja eu.
O invejoso idealiza que o outro achou a receita da felicidade e que ela
deveria ser passada para ele também. Então, falta alguma coisa importante
naquele que inveja?
Falta: auto-estima, segurança e autoconfiança. Ele tem um buraco interno e um vazio,
que acha que poderá preencher com o que o outro tem. Doce engano!
Se eu invejo, estou me comparando.
Se ganho a comparação, não há porquê ter inveja, certo?
Se eu perco, ou seja, tenho uma baixa auto-estima, além de invejar, vou ter
raiva do outro, porque dificilmente vou acreditar que eu POSSA ter aquela
característica que ele tem.
Eu invejo o que não posso ter e minimizo o outro para que ele possa diminuir
de tamanho diante da minha pequenez.
É um círculo vicioso, que somente será cortado saciando essa falta interna,
fazendo do invejoso uma pessoa que se provenha a si própria.
Quanto mais ela se gratifica, mais diminui a inveja.
O objeto do desejo, seja ele felicidade ou bem-estar, só nos traz satisfação
verdadeira quando a conquista é nossa e não quando é feita em cima da conquista do outro.
Não é possível usar a medida de outra pessoa para nós.
É possível admirar o outro, usar o recurso do outro para descobrir o nosso próprio caminho.
Mas achar que usar exatamente o que o outro tem, é um pouco ficar como a
irmã da Cinderela, tentando calçar um sapatinho de cristal muitos números
menores que o dela, na ilusão de que se ele coubesse, o amor do príncipe
magicamente caberia também.
(Sônia Blota Belotti)
Psicóloga e Psicoterapeuta
***
O ódio espuma.
A preguiça se derrama.
A gula engorda.
A avareza acumula.
A luxúria se oferece.
O orgulho brilha.
Só a inveja se esconde.
(Zuenir Ventura)
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Sonia Soares Copyright © 2000
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