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Está naquela idade inquieta e duvidosa,
que não é dia claro e é já o alvorecer;
Entre-aberto botão, entre-fechada rosa,
um pouco de menina, um pouco de mulher.
As vezes recatada, outras estouvadinha,
casa no mesmo gesto a loucura e o pudor;
Tem coisas de criança e modos de mocinha,
estuda o catecismo e lê versos de amor.
Outras vezes valsando, o seio lhe palpita,
de cansaço talvez, talvez de comoção;
Quando a boca vermelha abre, os lábios agita,
não sei se pede um beijo ou faz uma oração.
Quantas vezes porém, fitando o olhar no espelho,
parece acompanhar uma etérea visão;
Quantas cruzando ao seio o delicado braço,
comprime as pulsações do inquieto coração.
É que essa criatura adorável, divina,
nem se pode explicar, nem se pode entender;
Procura-se a mulher e encontra-se a menina,
procura-se a menina e encontra-se a mulher.
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