©Sonia Soares©



Olha pra mim, amor, olha pra mim;
Meus olhos andam doidos por te olhar!
Cega-me com o brilho de teus olhos
Que cega ando eu há muito por te amar.


O meu colo é arminho imaculado
D'uma brancura casta que entontece;
Tua linda cabeça loira e bela
Deita em meu colo, deita e adormece!


Tenho um manto real de negras trevas
Feito de fios brilhantes d'astros belos
Pisa o manto real de negras trevas
Faz alcatifa, oh faz, de meus cabelos!


Os meus braços são brancos como o linho
Quando os cerro de leve, docemente
Oh! Deixa-me prender-te e enlear-te
Nessa cadeia, assim, eternamente!


Vem para mim, amor... Ai, não desprezes
A minha adoração de escrava louca!
Só te peço que deixes exalar
Meu último suspiro na tua boca!


(Florbela Espanca)






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